Há alguns dias atrás, eu publiquei um post aqui no blog afirmando que precisamos de uma nova entidade internacional de normalização. Neste post, gostaria de compartilhar algumas das minhas idéias sobre a inclusão de mais pessoas, pessoas comuns, nos esforços internacionais de normalização. Realmente espero ver a sua contribuição aqui (poste um comentário), pois penso que precisamos discutir e apresentar uma proposta sólida para na comunidade internacional (por favor, vamos unir esforços… suas idéias são totalmente bem-vinda).
A primeira coisa que eu gostaria de deixar claro, é que penso que existem pessoas boas e más em todo o mundo, e esta é a divisão mais básica em que eu estou pensando (não me importo se eles vivem em países desenvolvidos ou em desenvolvimento ou se eles trabalham a empresa A, B ou C). Com isso clarificado, tudo o que eu vou escrever aqui é considerando a participação e contribuição das boas pessoas, OK?
O desenvolvimento de normas não é necessariamente um trabalho muito divertido, principalmente porque ele exige um nível técnico elevado de conhecimento sobre o tema a ser trabalhado, e uma boa disponibilidade de tempo. É por isso que penso que o desenvolvimento em si é algo que precisa ser feito por um determinado grupo, com elevadas habilidades técnicas, mas penso que é uma boa idéia ter uma maneira de permitir a pessoas comuns segui-lo (como a lista de discussão aberta no OASIS ODF TC, comitê que desenvolve o ODF no OASIS). Eu realmente acredito que a transparência é o melhor remédio contra a estupidez humana, e que a transparência nas discussões técnicas certamente irá manter as idéias (e pessoas) estúpidas fora do grupo (infelizmente não foi esse o caso com o OOXML .. . As pessoas que estiveram no BRM, ou que participaram do processo de avaliação em seus NBs sabem exatamente do que estou falando:) ).
Com tudo isso apresentado (e eu espero que entendido), eu realmente acredito que a participação popular é muito sadia e bem-vinda em duas fases do processo de normalização:
1. Fase de Requisitos
2. Fase de aprovação final (ou verificação cruzada de requisitos).
Sobre a fase de requisitos, acredito que podemos ter a coleta de requisitos desenvolvida em duas etapas (baseadas em tecnologias WEB 2.0 como Wiki):
1. Fase de Requisitos:
1.1 Requisitos técnicos:
São um conjunto de requisitos técnicos que podem ser enviados por pessoal técnico, desenvolvedores de aplicações que utilizam a norma, ou acadêmicos.
Esses requisitos são de natureza muito específica, algo como “o parâmetro X deve suportar um valor Y para possibilitar esta ou aquela aplicação”.
Seria uma boa idéia utilizar um formulário básico para esse tipo de proposta, e acredito que temos um bom modelo no OASIS ODF TC, desenvolvido após anos de experiência em desenvolvimento de padrões de forma colaborativa (um exemplo dele pode ser visto aqui).
1.2 Casos de Uso:
A maioria dos usuários de normas técnicas não possuem um nível elevado de conhecimentos técnicos, mas sabem com muita precisão como querem utilizar essa norma específica (ou tecnologia específica baseada na norma). Também é comum notar que os especialistas em normas costumam ter bons conhecimentos em apenas um determinado domínio de aplicação da referida norma, e é por isso que uma boa fonte de casos de uso é muito importante para os desenvolvedores de normas.
Há também casos onde uma pequena alteração em uma norma permitirá a implementação de um caso de uso muito avançado (e que é comum observar que que ambos os envolvidos, usuários e desenvolvedores, geralmente não conseguem ver isso com tanta clareza).
Considero que esta é uma excelente oportunidade para reduzir a distância entre os desenvolvedores e os usuários de padrões, e de colocar um contexto de “mundo real” para auxiliar os desenvolvedores de padrões a tomar as suas decisões, com base em necessidades do mundo real.
Penso ainda que um banco de dados de casos de uso compartilhado (ou coisa parecida) seja uma boa forma de reunir experiências e necessidades de usuários, e de construir um conjunto comum de boas idéias para resolver problemas comuns. Creio que este último benefício poderia ser muito bem explorado por usuários governamentais (e também por desenvolvedores de produtos e provedores de serviços …).
2. Fase de aprovação final
Esta é para mim, a oportunidade de fazer uma coisa muito simples: A pessoa contribuiu com uma requisito (técnico ou a caso de uso) irá simplesmente verificar se a sua contribuição foi analisada e implementada na nova versão da norma.
Penso que é muito difícil para uma única pessoa, ou um pequeno grupo, fazer isso (com base em todos os requisitos e todo o documento final do padrão), mas se cada colaborador controlar suas próprias contribuições, é poderemos ter um excelente produto final (mais de isso, se um colaborador controlar – que seja apenas por curiosidade – o tratamento dado à outras contribuições, teremos uma excelente revisão por pares – peer review).
Claro que uma boa ferramenta de monitoramento será necessária para facilitar este trabalho, mas acredito que temos hoje tecnologia suficiente para fazer uma coisa dessas (e do resultado final será muito valioso para todos os envolvidos).
Esta é a primeira das idéias que eu gostaria de compartilhar com vocês e eu vou ficar muito contente em receber comentários e conhecer suas idéias sobre tudo isso. Eu realmente acho que com uma pequena contribuição de cada um, nós vamos ser capazes de criar um novo processo para o desenvolvimento de normas que permitirá a participação de qualquer pessoa interessada (você não precisará ser um representante da empresa X, ou de ter um diploma Y da Universidade Z e assim por diante … no fim das contas, desenvolvedores de normas ou não, somos todos seus usuários !!!).
Como já escrevi anteriormente, eu realmente acredito pessoas boas poderão construir um mundo melhor … Junte-se a nós ![]()



September 24th, 2008 - 8:50 pm
IBM ameaça deixar organizações de padronização
http://www.noticiaslinux.com.br/nl1222231281.html
March 9th, 2009 - 6:09 pm
oi